Como
é normal em Portugal, entramos na 9ª jornada na Liga e
já se registam 4 treinadores despedidos, começou com
o Fernando Santos (Benfica), seguiu-se de Manuel Machado
(Académica), Fernando Chaló (Naval), e por
último Jorge Costa (Sp. Braga), assim vou tentar explicar o
que acho acerca desta chicotadas psicológicas tão
habituais em Portugal.
Costuma-se dizer que é
mais facil mudar de treinador do que a equipa toda, quando esta
não consegue resultados, mas nem sempre na minha
opinião a culpa é do treinador! Muitas das vezes a
falta de rendimento de alguns jogadores, também condicionam
a performance das equipas, veja-se um caso flagrante num dos
grandes do nosso futebol, a falta de forma de João
Moutinho, tem condicionado sem dúvida o rendimento do
Sporting, e não é por isso que será despedido
do Sporting.
Nunca
vi em Potugal um presidente ser obrigado a sair por ser
responsável por um clube que tem como média de
assistência 800 adeptos por jogo, ou por estar indiciado num
processo de corrupção, há que diga que por
esta última ficaríamos sem presidentes de
clubes de futebol, mas não o tema de hoje, e o que me deixa
realmente indignado é que a necessidade de mudar passa
sempre pelo treinador.
-
Alguém tem perguntado porque razão existem tantos
atletas lesionados? Também
condiciona as escolhas dos treinadores, e não se ouve falar
de preparadores fisicos despedidos.
– Porque não proibem de
arbitrar um Árbitro que erra em lances demasiados
óbvios?
Existem enumeros casos que por vezes fazem
com que o treinador seja despedido, e que na minha opinião
nem sempre a responsabilidade passa por
ele.
É importante que o treinador tenha
"mão" no balneário, mas sabemos bem qual a realidade
do futebol, existem jogadores que têm mais peso nos clubes
que os próprios treinadores, que têm vencimentos
superiores, e todas estas questões influênciam a
capacidade de gestão do treinador.
O Sr. Luís Filipe Vieira, ao
ver o Benfica jogar na época passada não deveria ter
percebido logo que o Fernando Santos deveria sair no final da
época, como aconteceu quando este esteve no Sporting.
Preferiu deixa-lo preparar a pré-epoca, comprar e vender o
jogadores que desejava e não queria, para despedi-lo
após o 1º jogo da Liga; - Quem devia ser despedido
aqui?...
Em Coimbra as coisas foram diferentes
Manuel Machado
foi despedido ao fim da 3ª Jornada, após derrota com o
Sporting, empate com o Leiria e nova derrota com o Marítimo,
uma das sensações deste campeonato. O Presidente dos
estudantes (José Simões), deve se ter pensado que a
Académica iria lutar pela Liga dos Campeões este ano,
para não permitir ao treinador estes resultados, mas o mais
grave é - porquê à 3ª jornada? – O
que consegui avaliar após 3 jogos?
O Francisco Chaló foi despedido em
Setembro após derrota com o Benfica na Luz, por 3-0; - Sr.
Aprígio Santos (Presidente do Naval), estava a pensar ir
ganhar à Luz por quantos?
No caso Jorge Costa, admito
que se esperava mais, acho que até já tinha referido
num dos meus anteriores artigos que o Sp. Braga que nos tinha dado
tantas expectativas no inicio do campeonato está longe de
ser o Sp. Braga actual. Sem se compreender as fracas
exibições depois de tão exaustivo processo em
aquisições de renome, poder-se-ía dizer que
foram criadas condições para mais e
melhor.
Consigo prever qual a
próxima vitima, talvez o Treinador do U. Leiria, pois todos
os treinadores despedidos encontravam o seu clube na última
posição, assim vou já avisando para não
dizerem que não disse.
Em Portugal é moda
despedir treinadores, tanto que até na cultura dos adeptos
é uma coisa normal. - E é normal porquê? Porque
a expectativa de quando se contrata um Treinador, é que este
em seis meses consiga ganhar tudo, e sabemos que em nada na vida
é assim, tem de se criar bases, processos de trabalho,
melhorar performances, e para isto é preciso tempo, vejam o
caso do treinador do MAnchester United, o Sir
Ferguson.
No caso dos clubes grandes eu
até antendo, não aprovo, mas entendo, pois a
pressão dos adeptos (que são a maioria), dos Media, e
de todos os agentes que rodeiam o Futebol, são elevados, e a
falta de conquistas, pode aumentar a pressão, mas no clubes
mais pequenos não é assim, poquê não dar
aos treinadores mais tempo para que consigam preparar as equipas
com “pés e cabeça”, para que num futuro
próximo estejam ao nível dos
grandes...
Nos paises mais
desenvolvidos, tem se por hábito dar tempo aos treinadores
para que estes desenhem projectos de sucesso, não deveriamos
aprender com eles???